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Biz Stone busca formas inusitadas, e até malucas, de encontrar soluções de negócios. Para ele, o Twitter é como um grande projeto artístico

[tweetmeme source=”@comCENTRAL” only_single=false] P: De onde vem a sua criatividade?
R: Gosto muito de viajar e conversar com pessoas que sejam totalmente alheias ao meu universo

O americano Christopher Isaac Stone nasceu em Boston, há 36 anos, e foi criado em um afluente e pacato subúrbio da capital do estado de Massachusetts. No começo dos anos 1990, iniciou mas não completou as faculdades de literatura e teatro. Em1994, ajudou a consertar o computador de uma editora de livros e se animou em oferecer as ilustrações que produzia por diletantismo. Acabou contratado como artista gráfico e passou os cinco anos seguintes produzindo capas de livros.
É difícil de acreditar, mas passados apenas dez anos, esse mesmo sujeito-que prefere ser chamado de Biz, um apelido de infância – seria eleito uma das cem personalidades mais influentes do mundo pela revista Time, ao lado de seu sócio e amigo Evan Williams. A dupla criou, junto com Jack Dorsey, o Twitter. Engenheiro de software, Dorsey havia desenvolvido um sistema de agendamento de táxis com base no uso de mensagens curtas de celular (SMS). Imaginou que poderia usar o mesmo conceito para conectar amigos. Após rabiscar a idéia em um guardanapo de lanchonete, entrou em contato com Stone e Williams, que, depois de trabalharem em empresas de referência pontocom, como a Google, haviam lançado o próprio empreendimento, na área de podcast. Em uma reunião que durou o dia todo, os três conceberam o formato final do produto, inclusive o nome Twitter, sugerido por Stone, que associou o som das teclas ao trinar de um pássaro. O formato do SMS, com 140 caracteres, seria mantido para estimular uma “curta enxurrada de pensamentos inconsequentes”, como definiu Dorsey.

Lançado em 2006, o serviço de comunicação instantânea passou os primeiros nove meses de vida no limbo, até que, durante um festival cultural-tecnológico realizado no Texas, no ano seguinte, começou a ganhar escala. Passou de 20 mil para 60 mil usuários em poucos dias. Atualmente, são 300 mil novas contas registradas por dia. No final de julho, a rede era formada por 125 milhões de pessoas de todos os cantos do mundo (mais de dois terços do volume de informação é gerado fora dos Estados Unidos).

Dona de um fenômeno cultural global e de uma espetacular base de usuários, a empresa corre atrás, agora, de arrumar uma fonte de renda. Em abril, lançou seu primeiro serviço comercial, o tweet promocional. Pelo sistema, empresas interessadas podem posicionar suas próprias mensagens nas torrentes de informação de usuários que lhes interessem. Há uma clara distinção entre os tweets “naturais” e os promocionais, para que ninguém se sinta ludibriado. Além disso, a empresa reserva-se o direito de vetar mensagens publicitárias que possam ser consideradas intrusivas pelos usuários. Os primeiros resultados da experiência, segundo declarou Stone em entrevista exclusiva à Pequenas Empresas & Grandes Negócios, são bastante encorajadores. “Nossos primeiros parceiros estão encantados com o nível de engajamento dos usuários”, diz. Stone recebeu a reportagem na sede da Twitter Inc., que ocupa dois andares de um burocrático prédio de escritórios na região central de São Francisco.

Quando o senhor percebeu que o twitter tinha se transformado em um fenômeno?
Lançamos o Twitter em julho de 2006. Levou nove meses para que as pessoas tomassem conhecimento. A primeira vez que vimos o Twitter ser usado intensamente por diferentes grupos de pessoas foi durante a edição de 2007 do festival de música, cinema e tecnologia South by Southwest, em Austin, no Texas. Durante o evento, as pessoas passaram a criar grandes ondas de informação como uso do Twitter. Eu sempre uso a metáfora de grandes bandos de pássaros se movimentando pelo céu. É algo que parece muito bem coreografado e treinado, mas que na verdade segue uma mecânica muito simples: trata-se apenas de comunicação em tempo real entre indivíduos, o que permite que eles formem um só organismo. Até então, não existia um serviço que permitisse que as pessoas fizessem isso. Atraímos muita atenção da imprensa e ganhamos um prêmio do festival. Foi uma espécie de big bang. A primeira prova de que oTwitter podia trazer algo novo. E a forma como oTwitter opera faz com que ele seja mais valioso na medida em que mais usuários participam dele.

Em termos de internet, nove meses é um tempo bem longo. Vocês pensaram em desistir?
De fato, nove meses é bastante tempo para se dedicar a algo que não seja necessariamente atraente. Mas eu sempre mantive a empolgação com o Twitter. Nunca deixei de acreditar, pois o Twitter permite que as pessoas se comuniquem de uma maneira fácil e direta – um objetivo que eu sempre persegui na minha carreira. Para mim, nunca importou que houvesse apenas 5 mil pessoas usando o serviço. Eu sempre soube que ia funcionar. Jamais imaginei que o Twitter tomaria a dimensão que tomou. Mas, felizmente, as coisas se desenvolveram bem e pudemos criar uma empresa em torno do serviço.

O que é criatividade e como o senhor a aplica no seu dia a dia?
Criatividade é um recurso renovável. O acesso a ela é inesgotável: todo mundo é criativo. O que é ótimo. De onde você tira e como você acessa esse recurso? Na minha opinião, você é mais criativo na medida em que acumula diferentes experiências. Muitas pessoas permanecem presas a uma forma específica de pensamento e preferem interagir apenas com pessoas do mesmo tipo. Eu acho que, quanto mais amplas forem suas experiências, mais você pode utilizá-las para criar conexões. Você pode ter ideias que não teria normalmente. Gosto muito de viajar e de conversar com pessoas que sejam totalmente alheias ao meu universo. No ano passado, dei praticamente uma volta ao mundo, basicamente para trocar ideias com gente diferente.

Mas como aplicar essas novas experiências aos negócios?
O que faz o Twitter especial é a nossa abordagem criativa. Eu comecei minha vida como artista. Virei empreendedor da área de tecnologia depois dessa experiência. Então, acho que vejo as coisas de uma maneira um pouco diferente. As pessoas que trabalham aqui não têm necessariamente a mesma visão que a minha. Elas são mais focadas no negócio. Mas, ainda assim, elas são encorajadas a buscar soluções mais criativas para os problemas.

O senhor escreveu dois livros sobre mídias sociais. Como sua atividade intelectual interfere no seu trabalho?
É engraçado. Há dez anos, não imaginava que podia ser bem-sucedido no mundo dos negócios. Creio que uma das razões para eu ter encontrado espaço nesse mundo é que a definição do que é fazer negócios está mudando. As pessoas estão percebendo que a criatividade e o altruísmo são partes importantes do fazer negócios. Uma companhia ou um produto são considerados bem- sucedidos, hoje em dia, se eles produzirem algum impacto positivo para o mundo ou se forem relevantes para as pessoas-e não mais apenas em termos de vendas ou faturamento. Aqui no Twitter, começamos a colaborar com organizações não-governamentais e filantrópicas, especialmente na área da educação, antes mesmo de começar a fazer dinheiro.

Mas, ao mesmo tempo, vocês estão sempre sob pressão para apresentar resultados financeiros positivos.
Na verdade, não estamos sob pressão.

Mas há uma ansiedade generalizada no mundo da internet para que o twitter mostre viabilidade financeira.
Sim. Não estamos aqui apenas pela diversão ou para contribuir com ONGs. Nosso objetivo é criar um negócio muito bem-sucedido, que é a maneira mais fácil de causar um impacto positivo no mundo. A diferença é que, no Twitter, resolvemos dar tempo ao tempo. Nós decidimos desenvolver o modelo de negócios apenas quando estivéssemos seguros de que nosso serviço é relevante para milhões de pessoas ao redor do mundo. Porque se você agir da maneira inversa, não vai funcionar. Em abril, lançamos os tweets promocionais.

E como tem ido até o momento?
Muito bem. Nossos primeiros parceiros estão encantados com o nível de engajamento dos usuários. Porque a gente não está simplesmente enchendo o site de propaganda. Se um tweet promocional não provocar o interesse dos usuários, simplesmente o tiramos do ar e não cobramos do anunciante. O resultado é que os usuários estão vendo mensagens que lhes interessam, as companhias estão tendo suas informações divulgadas e nós estamos sendo pagos para isso. Está todo mundo feliz.

Negócios e criatividade são opostos ou complementares?
Eles se entrelaçam. O que me vem à mente é o conceito de pensamento lateral. A ideia de que você, em vez de pensar de maneira linear, tenta um ângulo completamente diferente. É o que os artistas fazem toda hora. Eles arrumam formas inusitadas, malucas até, para obter soluções. Se você quiser, uma empresa pode ser tocada como se fosse um grande projeto artístico.

Por que vocês resistiram às ofertas de compra do twitter?
A razão pela qual resistimos ao assédio é porque acreditamos que criamos uma ferramenta útil para milhões de pessoas. Mas ainda não terminamos de fazer a segunda parte, que é criar um modelo de negócios. Ficar só com a primeira parte do projeto me parece frustrante. Nós queremos realmente levar essa história até o fim.

O senhor atua como conselheiro de jovens empreendedores do Vale do silício. Qual é sua mensagem para eles?
Quando a empresa é muito pequena, formada por garotos, a dúvida básica é: “Temos um produto ou serviço que começou a despertar atenção; o que devemos fazer agora?” Minha resposta padrão é: dê um salto. Monte uma empresa, saia do porão ou da garagem. Você não vai conseguir ser espetacularmente bem-sucedido se não estiver disposto a falhar espetacularmente. Outro conselho que eu sempre dou é: mantenha o foco. Não se deixe distrair por atividades paralelas, muito embora nossa história seja feita de projetos paralelos muito bem-sucedidos. Mas o que eu digo é para eles não se deixarem distrair por atividades que tenham como objetivo render dinheiro fácil. Nunca funciona. Você vai acabar trabalhando para alguém. É diferente de quando você abraça um projeto com paixão.

O Vale do silício tem uma atmosfera muito favorável para novos empreendimentos. Mas nem todos os lugares são assim. Que lições é possível tirar da forma como as empresas da região atuam?
Temos uma mentalidade muito aberta. As pessoas têm dificuldade para perceber que atuar dessa maneira cria valor. Elas acham que terão suas ideias roubadas por outras empresas. Mas, na verdade, o que você está fazendo, quando passa a trabalhar de maneira aberta, é colocar alguma coisa lá fora que vai voltar para você muito mais valiosa. Pode parecer temerário à primeira vista, assim como foi quando pensamos em compartilhar todos os nossos dados com o Google, com a Microsoft e com o Yahoo. Parece uma ideia maluca. Mas, no fim das contas, é algo positivo para os usuários, para nós e para as outras empresas. Meu conselho é: vá em frente e compartilhe suas ideias. Você vai acabar atraindo outras pessoas tão inteligentes e interessantes quanto você.

O que o senhor diria para um empreendedor em começo de carreira se tivesse apenas 140 caracteres para se expressar?
Oportunidades podem ser construídas. Você não precisa esperar que venham até você.

BIZ STONE QUEM É: Cofundador do Twitter, serviço de comunicação instantânea mais popular do planeta, designer e criador de serviços da internet como o Blogger, publicador de diários eletrônicos, comprado pelo Google, e autor dos livros Blogging: Genius Strategies for Instant Web Content, de 2002, e Who Let The Blogs Out?, de2004, sobre o impacto social dos blogs

 
Fonte:  PENG – em 11.08.2010
 

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