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As oportunidades do mercado halal

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O setor movimenta US$ 2,1 trilhões em todo o mundo e tem potencial para atingir mais de um bilhão de consumidores

"Nosso número de clientes aumentou 10% desde que investimos na certificação desses produtos" - Regisleyne Ventura, sócia da Veros Química

Espalhados pelos cinco continentes, existem hoje 1,8 bilhão de muçulmanos que consomem apenas alimentos e produtos industrializados preparados de acordo com as orientações da lei islâmica, os chamados halal. De olho nesse mercado, que movimenta US$ 2,1 trilhões no mundo (US$ 1 bilhão só no Brasil, segundo a Federação das Associações Muçulmanas), cerca de 300 empresas nacionais já exportam com o selo halal. “Mais do que preceitos religiosos, a certificação é garantia de qualidade de processos e de alimentos confiáveis, o que abre portas para novos negócios”, afirma Chaiboun Ibrahim Darviche, executivo do Serviço de Inspeção Islâmica, responsável pela habilitação de plantas industriais e empresas com foco no mercado halal.

Por conta da demanda dos clientes, o Laticínio PicNic, de Tapejara (PR), buscou há três anos a certificação. Fornecedora de grandes indústrias, como Sadia e Polenghi, a empresa, que espera faturar R$ 80 milhões este ano, exibe o selo halal em 40 dos 60 tipos de queijo que produz. “Por se tratar de uma indústria, a inspeção foi rápida e acompanhou o processo de fabricação, sem a necessidade de avaliar produto por produto”, afirma Marco Antonio Galassini, sócio do laticínio PicNic. “A única exigência, no caso dos queijos, é a adoção de um coalho microbiano sem origem bovina.”

Especializada em sanitizantes para ambientes onde são manipulados produtos de origem animal, a Veros também optou pela certificação halal há três anos. “Desde que adquirimos a certificação, nossa carteira de clientes cresceu 10%”, afirma Regisleyne Ventura, 44 anos, sócia da Veros. A exigência partiu dos próprios clientes — frigoríficos, na maioria, que, para obter certificação do produto final, precisavam ter toda a cadeia produtiva rastreada. O processo levou três meses para ser concluído e exigiu um investimento de cerca de R$ 4 mil, entre a inspeção, a liberação do selo e a produção de novos rótulos. “Com certeza valeu a pena. É um diferencial de qualidade que deixa os clientes mais seguros, valorizado até mesmo por não-muçulmanos”, afirma Regisleyne. Com uma produção de 50 toneladas de sanitizantes por mês e um faturamento anual de R$ 1,8 milhão, a Veros foi a primeira empresa do setor a obter a certificação halal no Brasil.

Atualmente, o país conta com três certificadoras: a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), o Centro de Divulgação do Islam para a América Latina e o Centro Islâmico do Brasil. Todas elas têm reconhecimento internacional e são habilitadas para certificar alimentos in natura, processados e industrializados, cosméticos e produtos de higiene e limpeza. Segundo Dib Tarrass, diretor da Central Islâmica Brasileira de Alimentos Halal, braço da Fambras, a emissão dos selos para produtos in natura é a mais rápida: leva em média 15 dias. Já para o setor industrial, a liberação pode demorar até três meses, dependendo do tipo de produto. “Nesse caso, são realizadas auditorias documentais, estruturais e análises laboratoriais”, afirma o executivo. A validade é de um ano e o selo custa R$ 250 por produto certificado — o processo completo de certificação pode chegar a R$ 7 mil.

“O Brasil é hoje o terceiro maior exportador de produtos halal do mundo, perdendo apenas para a China e os Estados Unidos”, diz Tarrass. Além disso, é um dos principais parceiros comerciais de vários países do Conselho de Cooperação do Golfo, entre eles Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã, Líbano e Jordânia, que só aceitam produtos certificados halal. No ano passado, exportou US$ 4,6 bilhões em produtos para esses países — boa parte desse valor em carne de frango. Segundo a Associação Brasileira de Empresas Exportadoras de Frango (Abef), 29 dos 33 frigoríficos associados fazem o abate halal. “As perspectivas para esse mercado são excelentes”, afirma Francisco Turra, presidente da Abef. “A população muçulmana tem uma taxa de natalidade superior à de outras religiões e o consumo de carne de frango por pessoa, em países como o Kuwait e os Emirados Árabes, supera 61 quilos per capita/ano. No Brasil, é de pouco mais de 40 quilos.”

Existe espaço para investir tanto no mercado interno como para exportar, dizem os especialistas. Para quem quer apostar no nicho, vale lembrar que o Oriente Médio concentra apenas 20% da população islâmica mundial. A maioria vive na Ásia (60%), e 300 milhões em países onde o islamismo não é a religião majoritária.

O QUE DIZ A LEI ISLÂMICA SOBRE A CERTIFICAÇÃO

Para conseguir o selo halal, é preciso seguir regras estritas, que vão da forma de abate dos animais até a industrialização   Os frigoríficos habilitados para produzir carne com certificação halal devem ter a área de abate ou os ganchos da linha de produção direcionados para Meca, a cidade sagrada dos muçulmanos, para que, no momento do abate, o animal esteja com o peito voltado para essa direção

O abate deve ser feito o mais rápido possível, a fim de que o animal tenha morte instantânea, sem a liberação de toxinas que contaminem a carne

Todo tipo de vegetal é considerado halal, com exceção dos contaminados por pesticidas, dos venenosos ou que produzam efeitos alucinógenos

Todo vinagre é halal, exceto os provenientes de vinho e o vinagre balsâmico

Os derivados de origem animal usados nas indústrias de alimentação só serão halal se o animal for sacrificado conforme os preceitos da lei islâmica

Apenas os queijos processados por meio de coalho microbiano recebem o selo halal

Só as gelatinas extraídas de peixes e vegetais são consideradas halal. No Brasil, a maioria das gelatinas comercializadas é de origem suína, portanto, impróprias para o consumo dos muçulmanos

As ‘capas’ adotadas pela indústria para envolver os produtos embutidos halal devem ser atóxicas, livres de álcool e de gelatina suína

4 EMPRESAS QUE INVESTEM NO MERCADO HALAL

BELA IAÇÁ
Com sede em Belém (PA), a empresa processa uma média de 80 toneladas de açaí por dia e exporta a polpa para seis países. Há três anos é certificada halal

CAFÉ TIJUCO PRETO
Torrefação do sul de Minas Gerais, exporta 5% da produção de café torrado, moído e em grãos para o Kuwait, Omã, Jordânia e Líbano. Em 2008 recebeu o selo halal

CAFÉ TRÊS MARIAS
Há 11 anos no mercado e desde 2004 certificada halal, a torrefação paulista produziu 1,8 tonelada de café solúvel em 2009, boa parte exportada para 52 países

PONTES CERA DE CARNAÚBA
Especializada no beneficiamento de cera de carnaúba para uso na produção de alimentos e cosméticos, a empresa de Fortaleza (CE) é certificada halal desde 2007
 

Fonte: PEGN – em 08.07.2010

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